domingo, 30 de setembro de 2012

Ele & Ela

Trabalhavam na mesma empresa, porém, em departamentos diferentes.
Ele, um cara reservado, talvez tímido, meio misterioso. Ela, uma garota de personalidade forte misturada com certa doçura, chamava atenção de quem estivesse por perto devido ao seu porte e beleza, gostava de conversar, mas não falava demais. Ambos de fácil trato.

Ao se conhecerem sentiram-se atraídos, porém, uma atração não física, mais próxima da afinidade. Ela sentia-se atraída pelo jeito misterioso dele, havia algo naquele rapaz que a fazia acreditar que se tratava de um cara interessante, diferente, que valia a pena conhecer melhor. Já ele, atraiu-se pela beleza dela, pelo corpo bem feito, o sorriso largo e o olho inquisidor. Ao cruzarem-se pelos corredores da empresa, cumprimentavam-se educadamente, porém, não prolongavam conversa, apenas se olhavam, mediam-se curiosos sem muito transparecer.

Ficaram nisto por alguns meses, relacionavam-se profissionalmente apenas. Até que, numa manhã comum, uma brincadeira furtiva, inocente até, serviu para quebrar o gelo entre os dois, aproximando-os e fazendo com que ultrapassassem a barreira do “profissional”. Nessa mesma manhã ele conseguiu o número do celular dela. Desde então, iniciaram uma rotina de troca de mensagens sobre os mais variados assuntos, a maioria deles sem muitas intenções, porém, algumas em tom de brincadeira mas totalmente claras quanto ao interesse de ambos.

As mensagens trocadas ganharam cada vez mais aquele tom íntimo, próximo do flerte. Divertiam-se com isso. Aproveitaram este clima para se conhecerem melhor. Decidiram marcar um barzinho, numa tarde de domingo. Ela sugeriu um lugar público, afinal, quem poderia garantir que o misterioso rapaz não se tratava de um maníaco, maluco ou coisa similar. Ele, não aprovou a ideia de início, mas percebeu que não valia a pena ir contra ela, não de imediato.

Ela chegou primeiro, decidiu não espera-lo e tratou logo de pedir um chope. Tentou justificar-se dizendo que tinha sede, porém, o mais provável é que estivesse tentando aliviar o nervosismo do primeiro encontro. Ele, mesmo chegando depois dela, não se atrasou. Parecia nervoso, como se já tivesse esquecido todas as frases de efeito que havia treinado trancado no quarto e com o máximo silêncio para que não o ouvissem. Dividiram um par de chopes.

Ela usava uma calça cargo e um decote discreto mas deixando claro que se vestiu para um encontro. Ele estava apenas de jeans e camiseta, mas usava sua melhor cueca. Não esperava nada com isso, é claro, muito menos que o “cardápio” da noite roubaria seu coração.

Iniciaram conversa como qualquer casal que acaba de se conhecer: abusando das perguntinhas clichês. Por sorte, os clichês passaram rápido. Eles não eram convencionais. Muito menos seus clichês.
A noite foi repleta de revelações, muito mais por parte dela que dominou toda a conversa. Ambos revelaram-se totalmente diferentes do que imaginavam um do outro. Terminaram a noite com um beijo. E só.

Descobriram-se perfeitos um para o outro. Ela, religiosa e apolítica. Ele,simpatizante pelo socialismo. Ela, extremamente comunicativa e bem-humorada. Ele, reservado, neutro, carrega um certo ar blasé, existencial. Ela, teimosa, tem opiniões fortes, racional e otimista. Ele, um idealista. Ela, se definiu como uma romântica prática. Ele, se mostrou emotivo e detalhista. Ambos adoram literatura; músicas “cafoninhas”; barzinhos; comida japonesa; fãs dos Beatles; mensagens SMS; cinema ou filmes regados a balas azedinhas e chocolate amargo. Mas, o principal, ambos divertem-se juntos.

Apaixonaram-se, namoram, sonham se casar num crepúsculo ao ar livre, querem uma filha chamada Ana Júlia. Hoje, usam este espaço cibernético para postarem as pérolas deste amor, que pretende terminar só quando deixarem de existir.